choro de mulher

choro de mulher
eis minha alma

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Meu primeiro trago.

Na adolescência , eu curtia rock pesado - como diziam os velhos. Rapp , calça baixa ,cabelos desgrenhados , muita maquiagem e cigarros.
Pra você ser descolado , ser alguém , você tinha que ter um cigarro na boca , uma graninha no bolso e ser mal encarado.
Tava pra mim. Sempre fui sisuda , cara amarrada ,meu pai fumava , e calças bég ou semi-bég não faltava. 
Aderi logo a tudo e com facilidade. Ganhei um punhal de um colega de escola que vivia me defendendo dos muléques grandes que me alugavam.
Então , como fui ensinada a me virar sózinha desde criança , eu escolhi ficar ao lado dele desse no que fosse.
Aos quatorze anos arranjei meu primeiro emprego registrado. Meu salário ajudava em casa e me dava certo sossego nas ruas. Comprava cigarro para ter "amigos" , fumava com eles para ter " amigos" e saia com eles , cabulando aulas , ou aos finais de semana , para ter "amigos".
E os tive , até decidir parar de gastar meu suado dinheiro com besteiras. Paguei pra ver quem éram meus amigos, e descobri que não tinha nenhum .
A solidão , da qual eu tanto fugia , era ainda uma companhia persistente.
Mas porque me sacrificar tanto , você deve se perguntar.Suportanto as converssas vazias daquelas meninas vazias, ou o malcheiro dos garotos bêbados , ou o cigarro que ainda acho , um vício idiota , pra ter'amigos'?
Bem , eu gostava de ficar só. brincava só quando criança , ia pra escola, ficava em casa , assistia , estudava , sempre sozinha.
Mas entre nove e onze anos , eu descobri a malícia humana . Na escola , um professor tentou me agarrar, no caminho da escola - não sei dizer de quantas centenas de tarados fugi , os colégas de copo de meu pai , ou os amigos casados , pervetidos de minha mãe sempre me aliciavam enfiando as mãos por baixo de minha saia ou forçando um beijo.
lembro de um que me prometeu meu maiór sonho , ganhar no dia de meu aniversário uma bonéca grande , de cabelos lisos e compridos acompanhada com uma cesta de dôces.
Esse homem éra moreno , tinha a péle queimada de sól , seu lábio inferior se projetava bem a frente do superior e não tinha o olho direito.
Me chamou da porta do bar , tendo nas mãos umas nótas de dinheiro. Me pediu pra ir comprar cigarros e dôces. Quando fui lhe entregar , me deu os dôces e em troca me pediu um beijo.
Mas eu ja tinha sofrido tantos abusos que rejeitava qualquer aproximação de quem fosse. Ele pediu desculpas , disse ser meu amigo e que iame contar um segredo . Chegou perto da minha orelha e tentou beijar minha boca.
Uma mulher que conversava com minha mãe lhe chamou atenção ao ocorrido 
Pensei que ela fosse me defender mas ,ela ignorou ,dizendo que era bem feito pra mim etc.
Antes de ir embora a mulher conversou comigo , me abraçou forte e me senti tão bem , tão protegida. Parecia que finalmente alguém havia me enxergado de verdade.
Nunca mais eu vi a tal mulher.
Anos depois , descrente de todos , acordei anoite sentindo carícias em minhas nádegas. Eu puxei a saia , me enrolei no cobertor como se não tivesse visto nada ou ninguém.
Na noite seguinte ,dormi de calça, mas acordei outra vez com aquele vulto me bulinando. Meu coração saltou de medo .Decidi fingir que dormia pra ver se ele ia embora e como isso não aconteceu , gritei por meu pai.
Ele me xingou , mas fui pro quarto dele e madruguei vigiando a porta do quarto sem conseguir dormir.
Procurei meu pai pra contar o que estava acontecendo , de pois minha mãe. Mas ele não acreditavam em mim .Diziam que era sonho ,que eu inventava coisas pra chamar atenção.
Ja não me deixavam ir pro quarto deles alegando que eu precisava crescer. E aquele vulto ficou mais destemido ; ja me puxava durante o dia , tentava invadir o banheiro onde me escondia dele, se esfregava em mim em minha cama quando dormia. Até que uma noite , nú , foi surpreendido por minha mãe indo pro meu quarto.
Na manhã seguinte , minha mãe contou a todos na mesa do café, as vizinhas , a professora e me culpou por tal ousadia do vulto.
Me senti horrível , não queria sair de casa de tanta vergonha. Todos que a houviam tinham a mesma reação de espanto por eu não ter contado , diziam que eu gostava daquilo , que era maliciosa tão nova , que logo ficaria grávida etc. E curiosamente , riam , eles e minha mãe.
Meu pai discutiu com minha mãe ,mas não foi pra me defender, foi pra ela parar de falar do ocorrido com todo mundo.
E mesmo sem ele nunca ter me dito uma palavra sobre isso ,fiquei aliviada de ela ter levado pelomenos uma bronca.
Não sei se por vingança, na manhã seguinte ela me chamou e descreveu como o vulto estava exitado , a porta aberta e e eu ali  ,como uma presa pronta pro abate.
Não disse uma palavra. Sentia toda ira na sua voz e sabia que ia piorar se me atrevesse a dizer uma palavra.
Carrego esse estigma comigo até hoje . E vendo aquele amigo tão afetuoso ,me defendendo até da professora , como não me apegar a ele?
Era minha tábua de salvação no mar bravio , meu oasis no deserto , meu porto seguro.
Quando seus pais se separaram , ele foi levado embora com o pai e nunca mais tivemos noticias um do outro.


Me restava a única coisa de que todos tinham medo e conseguiam enxergar : a cara fechada. 
Ascendi um cigarro e só larguei quando me cansei da falsidade. Tão rápido como o cigarro acabava , acabou-se minha amizades fajutas.
Me restou apenas algumas guimbas , ou , bitucas de cigarros ao longo do caminho.



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