choro de mulher

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eis minha alma

domingo, 21 de novembro de 2010

Quarta-feira

Pois é: toda quarta-feira na escola , éra dias legais. Independente d série; éra dia de jogar futebol, ir a bibliotéca, assistir filmes , passeios , etc.
As quartas sempre foram dias gostosos e são até hoje. Estão no meio da semana.
Quase sexta atarde, mas longe da segunda de manhã.
Nesta última quarta-feira , eu tinha uma sessão de fisioterapia e assim que sai de lá, fui pensando no caminho em minha família, na situação que vivemos; na doença de minha mãe e na minha. Me recordava os planos que fiz pro final desse ano e vi o quanto esta diferente do que quis.
Chegar em casa me pareceu , de repente, sinônimo de ir pro inferno.
Quando criança , não gostava dos finais de semana. Haviam  brigas e bebedeiras.
Éra um inferno. Mas hoje não esta tão diferente assim. Claro , não ha mais as manguaças de meu pai , mas as brigas ja não são de finais de semana. São diarias e constantes.
Isso me fez diminuir os passos, caminhar como um cordeiro que vai ao abate. E eu parei. Olhei de todos os lados e vi um lugar onde sei que posso ficar em silêncio; e como eu precisava disso. 
Entrei numa igreja católica. Seu ambiente fresco me fez bem.
Respirei profundamente, o silêncio mortal me fez bocejar , mas eu esquecí da hora .Quando percebí um movimento ao meu redor , percebi que logo a missa da tarde iria começar.
Me arrumei pra sair , mas sentei novamente , longe de todos , num lugar próximo da porta. No decorrer da missa , fui olhando a igreja.... recordando meu tempo de convento.
As missões , as amizades , os lugares , viagens ,e todos os amigos feitos por lá. Me deu mita saudade. Uma vontade de voltar, mas tambem lembrei um professor que dizia uma parábola : Haviam três homens que viviam numa caverna , sentados de costa para pra porta da caverna eles viam apenas vultos refletidos nas paredes da caverna .
Um dia , um deles vendo as sombras que passavam na parede , sentiu curiosidade. Levantou-se e saiu da caverna . O homem viu monstros gigantes , dinossauros , foi perseguido, caçado , sofreu horrores, passou fome , sede , frio e voltou a caverna.
Ele se sentou novamente no mesmo lugar , mas não se acostumou mais a ver os vultos. Ele precisava viver, só saber e ver os vultos ja não bastava mais.
Ele saiu novamente da caverna e foi viver no mundo com todos os desafios.
Eu sou como esse homem , pensei. O padre começou a homilia e falou sobre o que é a Hóstia.
Suas palavras foram me fazendo refletir; parecia que lia meu pensamento sobre os homens da caverna . Depois de missa ele foi atender confissão.
Fiquei ali. Eu queria que ele rezasse por mim. Não queria me confessar.
A fila estava longa, fiz até amizades. Mas quando cheguei , ele me disse palavras confortáveis , rezou por mim e me disse uma coisa muito interessante a respeito da oração:_Éla é um diálogo com Deus.
E fez algo que me deu um alívio tremendo, se dispôs a converssar comigo sempre que eu precisasse.
Claro que não vou perturba-lo , mas me fez entender o quanto eu precisava ser ouvida.
Voltei pra casa contando os passos.
Mas agora trazia a paz que a tantos anos não sentia , e vim lenta , pra saborear éla.
Dormi tão feliz que na manhã seguinte peguei meu breviário e rezei ; depois de longos anos , eu conversei com Deus.
Claro que os problemas continuam : minha mãe continua doente, minhas irmãs briguentas, meus planos frustrados , meu fim do curso de quadrinhos, pelo tanto almejei, estacionado ,continuo doente , mas desde aquela conversa com o Padre Luís Renato ,alguma coisa mudou.
E eu estou mais paciente e animada quanto ao futuro. O que é ótimo pra alguém que via na morte uma solução.
Via e só não busquei a tal solução , porque uma reportagem sobre doação de medula óssea e luta pela vida me fez pensar que um dia tudo isso vai acabar.Vou ter minha casa , meus filhos , vizinhos , trabalho e novos problemas com certeza.  Mas também terei eu e vou sempre providênciar a me ouvir. Sempre.

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